Se você pesquisar por quem descobriu o vírus da aids, vai se deparar com três nomes: Luc Montagnier, Robert Gallo e Françoise Barre-Sinoussi. Essa história é marcada por rivalidades sobre o reconhecimento da descoberta e a gente traz a versão completa para vocês. Como complemento, vamos falar também sobre como surgiu a aids. Está pronto para essa aventura na história? Vem com a gente!

Como surgiu a aids?

A Síndrome da Imunodeficiência Adquirida, também conhecida como aids, teve início por volta do século 20. Não há um consenso sobre quando iniciaram as transmissões, mas, uma teoria provável é que ela tenha acontecido por volta de 1930. A doença é causada pelo vírus HIV, porém nem todas as pessoas que convivem com o vírus a desenvolvem.

Em 1999, os cientistas começaram a apontar como origem do HIV-1 uma mutação de um vírus chamado SIV, que é encontrado no sistema imunológico dos chimpanzés. Nesses animais, o vírus não causa doenças, mas, por ser mutante, ele teria dado origem ao vírus da aids.

O SIV foi passado dos chimpanzés para os seres humanos diversas vezes, dando origem a diversas linhagens de HIV, mas elas não se tornaram uma epidemia, por estarem restritos a regiões remotas e pequenos grupos de pessoas. Foi em 1900, quando Léopoldville se tornou o maior centro urbano da região, que houve uma concentração populacional necessária para que a epidemia começasse.

Quando ocorreu o crescimento dos centros urbanos na década de 60, as guerras civis na década de 70 e as imigrações em massa, o HIV começou a se dispersar dentro da África e para o restante do mundo.

Naquele momento, surgiam diversas doenças que não eram identificadas, por isso, os casos muitas vezes eram confundidos com câncer e pneumonia. Somente em 1981 a aids foi identificada e reconhecida como uma doença.

Quem descobriu o vírus da aids?

Montagnier dirigia o Instituto Pasteur, em Paris, quando decidiu criar um departamento para estudar tipos de câncer que eram causados por vírus e retrovírus. Por não ser especialista em retrovírus, em 1977, ele chamou Jean-Claude Chermann e sua assistente Françoise Barre-Sinoussi.

Em 1982, Montagnier fica sabendo sobre a “peste gay”, que assolava os Estados Unidos. Ele também fica sabendo que Robert Gallo, do National Institute of Health dos Estados Unidos, já acreditava que o causador da doença era um retrovírus.

Na França, não havia muitos infectados, mas Montagnier conseguiu uma amostra de uma pessoa com sintomas de aids. Foi então que Françoise Barre-Sinoussi encontrou um retrovírus no material contaminado. O material foi compartilhado com ao menos outros seis laboratórios. Em maio de 1983, a equipe publicou um artigo científico afirmando ter isolado o vírus que poderia causar a aids.

Meses depois, em 1984, Gallo publica evidências de que o HIV era causador da aids. Ele foi acusado de ter usado uma das amostras retiradas do laboratório francês e, embora isso nunca tenha sido comprovado, um teste mostrou que o material era muito similar ao da equipe de Montagnier.

Tanto o mérito acadêmico como o direito da patente do teste do diagnóstico criado a partir do vírus se tornaram disputados por Gallo e Montagnier. Em 1987, França e Estados Unidos entraram em um acordo e os dois cientistas tiveram o direito à patente.

Françoise por muitos anos não era um rosto conhecido, apesar de alguns estudiosos afirmarem que ela foi a primeira a isolar o vírus e que Montagnier assinou o artigo por ser diretor da instituição, um costume comum na França. Em 2008, Françoise e Montagnier ganharam o prêmio Nobel de Fisiologia ou Medicina. Em uma entrevista, ela afirmou:

“A principal mensagem que direi hoje é, antes de mais nada, que esse sucesso na descoberta do vírus da aids é realmente um sucesso de uma equipe mundial com diferentes expertises. E eu acho que, para o futuro, também é importante, especialmente quando se trabalha com doenças infecciosas, ter uma rede mundial de médicos, virologistas e microbiologistas trabalhando em hospitais e ciências básicas. Isso foi realmente essencial para mim na descoberta do vírus da aids. E eu acho que é essencial também para o amanhã para descobrir agentes novos, emergentes ou reemergentes responsáveis ​​por doenças infecciosas.”

Confira a entrevista completa

Françoise Barre-Sinoussi ainda hoje trabalha para melhorar as condições de prevenção, cuidados, tratamentos e busca pela cura da aids.

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