Com as mudanças climáticas, é essencial saber como prevenir e reconhecer os sintomas de doenças como leptospirose, tétano e hepatite A.

As mudanças climáticas estão causando um impacto significativo na saúde pública global. O aumento das temperaturas, eventos climáticos extremos, como enchentes, e a alteração dos padrões de precipitação estão criando ambientes propícios para a proliferação de diversas doenças, incluindo leptospirose, tétano e hepatite A.

Por isso, se torna cada vez mais importante conhecer as maneiras de se prevenir, como identificar os sintomas e o que fazer em caso de possíveis contaminações. Continue a leitura e descubra como se proteger e agir de forma correta em situações de risco!

Leptospirose

A leptospirose é uma doença infecciosa febril aguda causada pela bactéria Leptospira, transmitida principalmente pela urina de animais infectados, especialmente ratos. Durante enchentes, água e lama contaminadas podem conter essa urina, facilitando a infecção através do contato com a pele, mucosas (boca, nariz, olhos) ou feridas expostas.

Sinais e sintomas da leptospirose

Os sinais e sintomas da leptospirose geralmente aparecem de 7 a 14 dias após a exposição, mas também podem surgir entre 1 e 30 dias. Alguns deles são:

  • febre alta persistente;
  • dor de cabeça severa;
  • calafrios;
  • dor abdominal;
  • dor muscular (principalmente na panturrilha);
  • náuseas e vômitos;
  • diarreia;
  • icterícia (pele e olhos amarelos).

É importante saber que, se não tratada, a doença pode evoluir para complicações graves, como insuficiência renal, meningite, dificuldade respiratória e até morte.

Prevenção

Para evitar a contaminação pela leptospirose, é fundamental adotar medidas de precaução como:

  • Se possível, evite entrar em contato com águas paradas ou lama que possam estar contaminadas com a urina de animais infectados. Caso seja inevitável, use equipamento de proteção adequado, como botas, luvas e máscara, para proteger sua pele.
  • Evite manter as mãos e os pés molhados por longos períodos, pois isso pode aumentar o risco de contaminação. Se estiver trabalhando em áreas úmidas, certifique-se de secar completamente as mãos e os pés após o contato com a água.
  • Após enchentes, é importante limpar e desinfetar áreas afetadas. Remova a lama e desinfete pisos, paredes e bancadas com água sanitária. Cubra cortes ou arranhões com bandagens à prova d’água para evitar infecções.
  • Evite nadar em águas paradas ou beber água de fontes potencialmente contaminadas.
  • Se alimentos ou medicamentos entrarem em contato com água de enchentes, é importante descartá-los para evitar o risco de contaminação.

Orientações em caso de suspeita

Se surgirem sinais e sintomas de leptospirose, não hesite em procurar atendimento médico imediatamente. O tratamento precisa ser iniciado o mais rápido possível após o aparecimento dos sintomas para evitar complicações graves.

Tétano

O tétano é uma doença não contagiosa causada pela bactéria Clostridium tetani, que pode ser encontrada em diversos locais, como solos, poeiras, galhos, plantas baixas e até mesmo em pedaços de móveis. Desastres naturais, como enchentes, podem aumentar a exposição a esses ambientes contaminados, aumentando o risco de infecção através de ferimentos.

Sinais e sintomas do tétano

Os sintomas do tétano costumam aparecer entre 5 e 15 dias, mas podem variar entre 3 até 21 dias. Eles incluem espasmos musculares, rigidez nos membros (braços e pernas), dores nas costas, braços e pernas, rigidez abdominal, dificuldade de abrir a boca e até mesmo espasmos musculares que afetam o rosto.

Além disso, febre, batimentos cardíacos acelerados, sudorese e pressão alta também podem estar presentes.

Vale ressaltar que o tétano não tem cura, mas o tratamento visa aliviar os sintomas e evitar complicações graves. Cuidados com a ferida infectada e medicamentos para controlar os espasmos musculares são parte do tratamento.

Prevenção

A vacina antitetânica é a forma mais eficaz de prevenir o tétano. Ela está inclusa no calendário regular de imunizações e requer reforços ao longo da vida, conforme o seguinte esquema:

  • Três doses no primeiro ano de vida;
  • Reforços aos 15 meses e 4 anos de idade;
  • Um reforço a cada dez anos após a última dose administrada.

Em situações de ferimentos graves ou durante a gestação, é recomendado antecipar o reforço da vacina caso a última dose tenha sido administrada há mais de 5 anos.

Além da vacinação, é importante adotar medidas simples para prevenir o tétano, como limpar e desinfetar imediatamente todos os ferimentos com água e sabão. Evite também o contato com materiais potencialmente contaminados e utilize equipamentos de proteção, como botas, luvas e capacetes, em situações de risco.

Orientações em caso de suspeita

Se você sofrer uma lesão na pele ou mucosa em uma área potencialmente contaminada, ou apresentar qualquer sinal ou sintoma de suspeita de tétano, é essencial buscar assistência médica imediatamente. Ao procurar ajuda, lembre-se de informar ao médico como ocorreu a lesão e o que a causou, para que ele possa fornecer o tratamento adequado.

Hepatite A

Também conhecida como hepatite infecciosa, a hepatite A é uma infecção viral que afeta o fígado, sendo causada pelo vírus da hepatite A (HAV). A contaminação ocorre quando há contato de fezes com a boca, podendo ser transmitido através do consumo de alimentos ou água contaminados, ou pelo contato direto com uma pessoa infectada.

Quando ocorrem desastres naturais causados por mudanças climáticas, podem aumentar a ocorrência de surtos, por isso é importante realizar a devida prevenção.

Sinais e sintomas da hepatite A

Os sinais e sintomas da hepatite A podem variar de leves a graves e geralmente aparecem de 15 a 50 dias após a infecção e duram menos de dois meses. Alguns deles são:

  • fadiga;
  • náusea;
  • dor abdominal;
  • perda de apetite;
  • urina escura;
  • icterícia (amarelamento da pele e dos olhos);
  • febre.

É importante saber que nem toda pessoa contaminada apresenta sintomas, sendo que alguns os sentem de formas leves, principalmente as crianças.

Prevenção

Para prevenir a hepatite A, evite a ingestão de água e alimentos que tenham tido contato com água ou lama contaminadas, ainda que sejam enlatados ou embalados. Lave as mãos regularmente, especialmente antes de comer e após usar o banheiro.

Assim como no caso da vacina antitetânica, a vacina de hepatite A também está presente no calendário básico, sendo recomendada para aplicação aos 15 meses de idade, com possibilidade de administração até os 4 anos, 11 meses e 29 dias. Também pode ser aplicada em todos os grupos quando existe uma situação de risco.

Orientações em caso de suspeita

Se você apresentar sintomas sugestivos de hepatite A, é importante procurar atendimento médico imediatamente. Um diagnóstico precoce pode ajudar a gerenciar os sintomas e evitar complicações. Além disso, seguir as orientações médicas sobre isolamento e higiene rigorosa é fundamental para prevenir a disseminação do vírus para outras pessoas.

Outras dicas importantes para casos de desastres naturais

Durante desastres naturais, especialmente em situações de chuva forte e enchentes, além dos cuidados com a leptospirose, tétano e hepatite A,  é essencial tomar algumas precauções para garantir sua segurança e saúde. Aqui estão algumas dicas importantes para ajudar você e sua família a se manterem seguros.

Cuidados com chuvas fortes

Em caso de chuva forte, saia de locais de risco o mais rápido possível. As inundações não só representam um perigo imediato de afogamento e danos materiais, mas também aumentam o risco de contágio por infecções transmitidas pela água contaminada.

Mantenha a vacinação em dia

Verifique se sua caderneta de vacinação está atualizada. A vacinação é uma das formas mais eficazes de prevenir doenças em situações de emergência. Se você ou sua família não estiverem com as vacinas em dia, procure um posto de saúde e vacine-se o mais rápido possível.

Isso é recomendado para todas as idades, mas especialmente importante para crianças e idosos, que são mais vulneráveis a infecções.

Cuidado com animais peçonhentos

Durante enchentes e desastres, animais peçonhentos, como cobras, aranhas e escorpiões, podem buscar refúgio em áreas secas, incluindo residências e destroços. Ao retornar para sua casa ou ao limpar áreas afetadas, tenha cuidado e use equipamentos de proteção, como luvas grossas e botas, para reduzir o risco de picadas.

Prevenção contra dengue, zika e chikungunya

Após enchentes, a água parada pode se acumular em poças, criando um ambiente propício para a proliferação de mosquitos que transmitem doenças como o Aedes aegypti, que transmite dengue, zika e chikungunya.

Para evitar isso, elimine qualquer água parada ao redor de sua casa, limpe calhas, cubra recipientes que possam acumular água e fique atento aos sintomas dessas doenças, que incluem febre, dores no corpo e erupções cutâneas.

Beba água segura para consumo

Garantir que a água que você bebe seja segura é essencial para a saúde, especialmente em situações de desastres naturais. Por isso, aqui vão algumas orientações do Ministério da Saúde para assegurar a qualidade da água potável:

Antes de manipular a água, lave bem as mãos e os braços com água e sabão para evitar a contaminação.

  • Use um filtro doméstico, coador de papel ou pano limpo para remover partículas da água. Adicione 2 gotas de hipoclorito de sódio a 2,5% para cada 1 litro de água. Misture bem e espere 30 minutos antes de consumir.
  • Em caso de falta do hipoclorito de sódio a 2,5%, passe a água por um filtro doméstico, coador de papel ou pano limpo, ferva a água por 5 minutos (contados a partir do início da fervura), deixe a água esfriar e chacoalhe-a antes de beber.
  • Utilize um recipiente higienizado, com tampa e boca estreita, e o separe exclusivamente para guardar a água tratada, evitando a recontaminação.

Cuidado com riscos elétricos

A presença de água em áreas inundadas aumenta o risco de choques elétricos. Se houver qualquer sinal de eletricidade (como fios soltos ou equipamentos elétricos submersos) em áreas inundadas, mantenha distância e informe imediatamente as autoridades competentes para que possam tomar as medidas necessárias.

Compartilhe informações de qualidade

As mudanças climáticas, infelizmente, podem provocar desastres naturais, e manter-se informado e seguir as orientações de segurança pode fazer a diferença na proteção da saúde de todos. Compartilhe este artigo para aumentar a conscientização sobre leptospirose, tétano e hepatite A e outros cuidados tão importantes nesses momentos!

Referências: