Com que idade você descobriu que a esclerose múltipla é mais comum em jovens? É isso mesmo que você leu! Ao contrário do que a maior parte das pessoas ouviu (e reproduziu) a vida toda, os idosos não são a faixa etária preferida da doença, e, neste artigo, iremos desmascarar esse e outros mitos que acompanham a esclerose multiplica e, pior, prejudicam a forma como a maior parte dos pacientes lida com ela.
Mas o que é a esclerose múltipla segundo a ciência?
A esclerose múltipla (EM) é considerada uma doença autoimune, ou seja, é um mal funcionamento do sistema imunológico que, ao invés de defender o organismo, começa a entender que proteínas de células do corpo são invasoras. Com isso, passa a enviar células de defesa para isolá-las e atacá-las.
No caso da EM, quem sofre o ataque é o revestimento dos neurônios, chamado de mielina. Ela funciona como uma capa de fio elétrico, que é um condutor, mas também ajuda a manter a estrutura do neurônio. Quando o fio desencapa (ou seja, quando a mielina é perdida), as funções do neurônio são prejudicadas, e o fluxo dos impulsos elétricos ao longo das fibras dos nervos sofre interrupções.
Como ela se manifesta?
Em sua fase inicial, a esclerose múltipla pode ser silenciosa, com sintomas que vem e vão naturalmente, não chamando tanto a atenção do paciente. No entanto, os sinais mais comuns costumam incluir:
- Visão turva
- Dificuldade para controlar a urina
- Fadiga e perda de força muscular
- Formigamento nas extremidades do corpo
- Sensação constante de dormência nas pernas
- Falta de equilíbrio
- Perda visual
- Visão dupla
- Espasmos musculares
- Dificuldades cognitivas
- Impotência sexual
- Tontura ou vertigem
- Fala anasalada
E quais são suas principais causas?
Essa pergunta não é nada fácil! Embora não se saiba exatamente o que causa a esclerose múltipla, há alguns fatores ambientais e genéticos que podem estar associados ao risco maior ou menor de desenvolver a doença. Vamos a eles:
Ambientais
- Infecção por alguns agentes virais e bacterianos, como o herpes vírus tipo 6, o vírus Epstein-Barr e o retrovírus endógeno humano.
- Imaturidade do sistema imunológico, que pode ser causada por pouca exposição a bactérias e parasitas durante a infância.
- Baixos níveis de vitamina D devido à pouca exposição solar.
- Obesidade e tabagismo
Genéticos
Até hoje, sabe-se que existem mais de 100 genes que podem aumentar os riscos de uma pessoa desenvolver a esclerose múltipla, e cada um pode aumentar essas chances em até 6%.
A verdade sobre a incidência da esclerose múltipla
Começamos este artigo falando sobre o mito de que a EM atinge mais as pessoas idosas. Agora, vamos desenvolver o assunto? Na verdade, a esclerose múltipla é mais comum entre pessoas de 20 a 40 anos, especialmente mulheres. Mas por que essa fama inversa? Alguns fatores podem ajudar a entender esse processo. São eles:
Sintomas e diagnósticos
Muitas pessoas podem confundir os sintomas da esclerose múltipla com os de outras doenças mais comuns em idosos, como a demência ou a doença de Parkinson. Sintomas como problemas de coordenação, fraqueza muscular, fadiga e dificuldades cognitivas podem ser erroneamente associados ao envelhecimento.
Desconhecimento da doença
A boa e velha ignorância… A EM é uma condição menos conhecida pela população em geral, e muitas pessoas não estão cientes de que ela pode afetar jovens adultos. A falta de conhecimento sobre a real faixa etária da doença também contribui para associá-la erroneamente à população idosa.
Preconceitos e estereótipos
Existe um preconceito generalizado de que doenças crônicas e debilitantes são mais comuns em idosos. Essa visão pode levar as pessoas a associarem automaticamente qualquer condição mais séria de saúde à velhice.
Histórico de pacientes
Alguns indivíduos podem só conhecer casos de esclerose múltipla diagnosticados tardiamente ou em pessoas que já estão envelhecendo, reforçando esse mito.
E por falar em mito…
Aqui vão alguns outros que, além de desinformarem, contribuírem para certas visões preconceituosos que existem em relação às pessoas com esclerose múltipla.
A esclerose múltipla é uma doença fatal
A doença é crônica – ou seja, o paciente irá apresentar a doença por toda sua vida – mas não é fatal. Ao contrário, hoje já é possível viver com qualidade e por muitos anos. Em 1948, a expectativa de vida após o diagnóstico era de 17 anos; hoje, os pacientes vivem apenas 13% menos do que qualquer outra pessoa. Isso graças aos avanços na medicina que permitiram diagnóstico mais rápido e tratamento mais eficaz.
Mais cedo ou mais tarde, todo paciente com EM acaba numa cadeira de rodas
Como a doença se manifesta de maneira muito diferente entre seus pacientes – tanto em relação à forma clínica quanto à gravidade, – é errado afirmar que todos os pacientes terão o mesmo quadro clínico e implicações físicas, como, por exemplo, no caso da locomoção.
Com a esclerose múltipla se desenvolve lentamente, é melhor esperar seu agravamento para tratar
Os pacientes devem iniciar o tratamento assim que recebem o diagnóstico para que tenham melhores perspectivas e mais qualidade vida, evitando inclusive a atrofia cerebral causada pela EM. O tratamento precoce diminui os surtos e reduz a incapacidade em longo prazo. A demora na adesão ao tratamento pode significar a ocorrência de novos surtos e, consequentemente, em sequelas irreversíveis.
Após o diagnóstico, a maioria dos pacientes sequer consegue trabalhar
A EM tem sido foco de muitos estudos no mundo todo, o que tem possibilitado uma constante e significativa evolução na qualidade de vida dos pacientes. Apesar de serem capazes de trabalhar, muitos pacientes ainda se veem forçados a aposentar de forma precoce por falta de flexibilidade dos empregadores e de entendimento dos colegas às necessidades geradas pela EM. Pequenos intervalos no período de trabalho já podem ser suficientes para melhorar a fadiga, por exemplo. Um estudo apontou que 67% dos pacientes de EM no Brasil estão desempregados e 37% dos pacientes foram submetidos à aposentadoria precoce.
Esclerose múltipla: múltiplas possibilidades
Hoje, no mundo, existem 2,8 milhões de pessoas com a EM. No Brasil, cerca de 40 mil vivem com a doença. Quer saber como você pode ajudar esse tanto de gente? Se informando com fontes confiáveis – como esta aqui – e contribuindo para o fim do preconceito em torno da doença. Quer saber mais sobre os diferentes tipos de esclerose múltipla, bem como as diversas formas de tratamento dela? Acesse nossa campanha Esclerose múltipla: múltiplas possibilidades e engaje nessa luta! Ah, e não se esqueça: à menor desconfiança, não seja negligente com sua saúde e procure um neurologista o quanto antes.
Fontes:
https://dorconsultoria.com.br/portfolio/esclerose-multipla
https://www.rededorsaoluiz.com.br/doencas/esclerose-multipla
https://www.bbc.com/portuguese/articles/c0vxv4zj7nno
http://www.esclerosemultipla.med.br
https://bvsms.saude.gov.br/eu-me-conecto-nos-nos-conectamos-30-5-dia-mundial-da-esclerose-multipla/#:~:text=A%20esclerose%20m%C3%BAltipla%20(EM)%20%C3%A9,pessoas%20vivem%20com%20a%20doen%C3%A7a[/vc_column_text][/vc_column][/vc_row]